Muitas empresas possuem uma estratégia bem formulada e uma operação tecnicamente competente, mas ainda assim entregam resultados aquém do esperado, mesmo depois de investimentos relevantes em ambas as frentes. Esse descompasso raramente tem origem em uma única falha isolada. Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, apresenta que, na maioria dos casos, o problema está na ausência de conexão real entre estratégia, finanças e operação, três dimensões que deveriam funcionar de forma integrada, mas que costumam operar como compartimentos separados dentro da mesma empresa.
O que causa o desalinhamento entre os três pilares?
O desalinhamento entre esses três pilares geralmente começa de forma sutil, quando decisões estratégicas são tomadas sem considerar plenamente sua viabilidade financeira ou sua exequibilidade operacional. Uma meta de crescimento ambiciosa, por exemplo, pode ser tecnicamente correta do ponto de vista de mercado, mas, se a estrutura financeira da empresa não comporta o capital de giro necessário para sustentar esse crescimento, ou se a operação não tem capacidade instalada suficiente para atendê-lo, o resultado tende a ser frustração generalizada, mesmo diante de uma estratégia originalmente bem concebida. Esse tipo de descompasso costuma se tornar visível apenas alguns trimestres depois da decisão inicial, quando já não há tempo hábil para ajustes graduais e as correções necessárias passam a exigir intervenções mais bruscas.
Valdoir Slapak menciona que esse tipo de desalinhamento costuma se manifestar de forma mais evidente durante períodos de crescimento acelerado ou de retração brusca, momentos em que a distância entre o que a estratégia exige e o que a operação e as finanças conseguem sustentar se torna mais visível. Em contextos de estabilidade, pequenas divergências entre esses pilares tendem a passar despercebidas, absorvidas naturalmente pela folga operacional e financeira disponível.

Como aproximar estratégia, finanças e operação?
Para que estratégia, finanças e operação funcionem de forma integrada, é necessário que cada decisão estratégica relevante seja avaliada simultaneamente sob essas três perspectivas antes de sua implementação. Isso significa que uma decisão de expansão, por exemplo, deveria ser discutida não apenas em termos de potencial de mercado, mas também em termos de impacto no fluxo de caixa, na estrutura de capital e na capacidade operacional necessária para sustentá-la ao longo do tempo, evitando que decisões sejam aprovadas isoladamente por uma única área sem o crivo das demais, prática que ainda predomina em boa parte das empresas de médio porte no país.
Esse tipo de avaliação conjunta, na leitura de Valdoir Slapak, exige processos formais de comunicação entre as áreas de estratégia, finanças e operação, e não apenas boa vontade individual dos gestores envolvidos. Comitês de decisão que reúnem representantes dessas três frentes, ainda que de forma simples, tendem a reduzir significativamente o risco de decisões estratégicas inviáveis do ponto de vista financeiro ou operacional, já que problemas potenciais são identificados antes da implementação, e não depois, quando as opções de correção já são mais limitadas.
Sinais de que a empresa está desalinhada
Empresas que conseguem sustentar esse alinhamento estratégico ao longo do tempo, independentemente de porte ou setor de atuação, apresentam uma característica comum: a informação financeira e operacional circula de forma transparente entre as áreas, permitindo que decisões estratégicas sejam revisadas rapidamente quando premissas iniciais deixam de se sustentar. Esse fluxo constante de informação funciona como um sistema de alerta antecipado, capaz de sinalizar divergências antes que elas se transformem em problemas estruturais mais difíceis de reverter.
O sinal mais claro de que uma empresa está desalinhada não costuma ser um evento único e dramático, mas o acúmulo progressivo de metas não cumpridas, projetos que consomem mais recursos do que o planejado e decisões estratégicas que precisam ser revisadas com frequência incomum, como pontua Valdoir Slapak. Por fim, esse padrão indica que os três pilares deixaram de dialogar de forma efetiva, e que a correção exige revisão de processo, não apenas ajuste pontual de metas ou orçamentos, já que decisões isoladas tendem a produzir apenas alívio temporário sem resolver a causa estrutural do desalinhamento observado.
