Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print, destaca que, em 2026, o design gráfico passa por uma mudança interessante: ao mesmo tempo em que ferramentas digitais ampliam as possibilidades de criação, projetos com menos elementos, mais organização e maior clareza visual ganham espaço. A valorização do simples não significa abandonar a criatividade, mas repensar o excesso e entender quais recursos realmente ajudam uma peça a comunicar sua mensagem.
Quer entender por que o simples está conquistando espaço no design gráfico? Leia a seguir e descubra como menos elementos podem gerar mais impacto.
Por que o excesso visual começou a perder força?
Durante muito tempo, acrescentar elementos foi uma maneira recorrente de tentar tornar uma composição mais chamativa. Fotografias, ilustrações, efeitos, texturas, diferentes fontes e diversas cores podiam aparecer em uma mesma peça. O problema surge quando todos esses recursos disputam atenção ao mesmo tempo e dificultam a identificação da informação principal. Nesse cenário, o excesso pode transformar uma tentativa de destacar a mensagem em um obstáculo para sua compreensão.
A simplicidade trabalha justamente na direção oposta, informa Dalmi Defanti Cuiabá. Em vez de preencher cada espaço disponível, o projeto estabelece uma hierarquia entre os elementos e permite que alguns tenham maior destaque. O espaço vazio deixa de ser entendido como área sem utilidade e passa a contribuir para a organização da leitura. Com isso, o olhar encontra pontos de entrada mais claros e percorre a composição de maneira mais natural.
Isso não significa que peças visualmente elaboradas tenham perdido sua função. A questão está na intenção por trás de cada escolha. Um elemento pode permanecer na composição porque reforça uma ideia, cria contraste ou ajuda a construir identidade. Quando não exerce nenhuma dessas funções, sua retirada pode tornar o resultado mais eficiente. A redução, nesse caso, não representa falta de criatividade, mas uma decisão consciente sobre o que realmente precisa permanecer.
O simples também pode ter personalidade?
De acordo com Dalmi Defanti, uma das principais confusões em torno do minimalismo é associá-lo automaticamente a projetos neutros ou semelhantes entre si. Na realidade, uma composição com poucos elementos pode apresentar características muito marcantes por meio da escolha da tipografia, da proporção dos espaços, do tratamento das imagens e da combinação de cores. A ausência de excesso, portanto, não impede que uma peça tenha personalidade ou seja facilmente reconhecida.

A tipografia, por exemplo, ganhou importância justamente porque pode assumir uma função visual mais expressiva quando outros recursos são reduzidos. Uma fonte com personalidade pode contribuir para a identificação de uma marca ou peça sem exigir a presença de diversos grafismos ao redor da mensagem. Seu peso, formato, espaçamento e relação com os demais elementos também ajudam a definir o tom da comunicação.
Como a tendência afeta os materiais impressos?
A valorização da simplicidade também pode favorecer projetos pensados para impressão. Quando uma peça apresenta uma estrutura visual bem definida, aspectos como legibilidade, contraste, tamanho dos elementos e distribuição das informações podem ser avaliados com maior precisão antes da produção. Isso facilita a identificação de possíveis ajustes e contribui para que a mensagem permaneça clara no resultado final.
No material impresso, entretanto, a aparência observada na tela não é suficiente para determinar o resultado. Papel, acabamento, dimensões, qualidade das imagens e características de reprodução interferem na percepção da peça. Por isso, como explica Dalmi Defanti, uma composição aparentemente simples ainda exige decisões técnicas durante o desenvolvimento. A escolha desses recursos precisa acompanhar a proposta visual para que a execução preserve as características planejadas.
Essa relação mostra que reduzir elementos não significa necessariamente simplificar todo o processo. Pelo contrário, quanto menos recursos visuais existem, mais perceptíveis podem se tornar escolhas inadequadas. Uma fonte mal dimensionada, um contraste insuficiente ou uma imagem de baixa qualidade podem comprometer uma peça que, visualmente, parecia bastante organizada. A simplicidade exige precisão, porque cada componente passa a exercer uma função mais evidente dentro da composição.
