Quando se observa o funcionamento de iniciativas de saúde preventiva no Brasil, uma das lacunas mais evidentes está na ausência de triagem visual sistemática dentro das escolas públicas. Enquanto outros protocolos de saúde escolar foram institucionalizados ao longo das últimas décadas, o exame oftalmológico seguiu fora da rotina da maior parte das redes municipais e estaduais de ensino. O Projeto Visão em Dia, concebido por Franco Douglas Lima Dias, ocupa esse espaço com uma proposta simples e documentada: levar o exame até a escola e entregar a correção no mesmo momento.
O programa já realizou mais de 4,5 mil atendimentos, distribuiu cerca de 2 mil óculos gratuitamente e contemplou 18 unidades de ensino na região de Ferraz de Vasconcelos e municípios vizinhos. Esses números não são apenas indicadores de escala. São a evidência de que o modelo funciona e de que a demanda existe onde o sistema ainda não chegou.
O que o projeto prova, acima de tudo, é que a barreira entre uma criança e um exame de vista não é intransponível. Ela só precisa ser removida por quem decide ir até lá.
Por que a escola é o lugar certo para fazer triagem visual?
A escola reúne, em um único ambiente, a população que mais se beneficia de uma triagem visual precoce: crianças em pleno desenvolvimento escolar, cuja capacidade de aprender depende diretamente de enxergar bem. Levar o exame até esse ambiente elimina as barreiras que impedem as famílias de acessar o serviço por conta própria, como custo, deslocamento e desconhecimento sobre a necessidade do exame.
Nas ações do Projeto Visão em Dia, esse modelo demonstrou sua eficácia de forma consistente. Crianças que nunca haviam passado por um exame oftalmológico foram identificadas com condições que comprometiam seu desempenho escolar há meses ou anos. A triagem dentro da escola funciona porque vai até onde a criança já está, sem exigir nada além da presença que ela já tem naquele ambiente diariamente.
O que diferencia uma triagem escolar de uma consulta convencional?
Uma consulta oftalmológica convencional depende de agendamento, deslocamento e, na rede privada, de pagamento. Mesmo na rede pública, o tempo de espera pode ser longo e o acesso a especialistas é limitado em muitos municípios. A triagem escolar realizada pelo Projeto Visão em Dia opera de forma diferente: a equipe chega à escola com os equipamentos necessários, realiza as avaliações individualizadas e entrega os óculos indicados na mesma ação.

Conforme pondera a trajetória do programa idealizado por Franco Douglas Lima Dias, esse modelo integrado é o que garante que o diagnóstico se traduza em correção real. Uma triagem que identifica o problema, mas não entrega a solução, deixa a família diante das mesmas barreiras que a impediram de chegar ao serviço em primeiro lugar.
Quais casos o programa identificou que não seriam encontrados de outra forma?
Entre os diagnósticos realizados pelo Projeto Visão em Dia, os casos de ceratocone identificados na APAE de Ferraz de Vasconcelos ilustram com precisão o alcance do programa. A doença, degenerativa e progressiva, exige equipamentos específicos para ser detectada e raramente é rastreada em triagens básicas. Dois alunos foram diagnosticados com a condição durante a ação na APAE, em crianças que jamais haviam passado por qualquer avaliação oftalmológica anterior.
Na avaliação de Franco Douglas Lima Dias, que desenvolveu ceratocone por falta de diagnóstico precoce, a identificação dessas condições em idade escolar é o resultado mais significativo que o programa pode entregar. Cada diagnóstico precoce é uma janela de tratamento que se abre antes que a doença avance além do ponto em que a intervenção ainda é mais eficaz.
O que o modelo do Projeto Visão em Dia revela sobre saúde preventiva no Brasil?
A experiência acumulada pelo programa ao longo de mais de 5 mil atendimentos aponta para uma constatação direta: há uma demanda real por triagem visual nas escolas públicas brasileiras, e ela pode ser atendida quando existe estrutura e disposição para chegar até ela. O Projeto Visão em Dia não inventou uma solução complexa. Identificou uma lacuna, montou uma estrutura para preenchê-la e foi até onde a demanda estava.
Segundo informações sobre a iniciativa, Franco Douglas Lima Dias segue com o objetivo de ampliar o alcance do programa e chegar a mais escolas e instituições. O que o Visão em Dia prova, a cada novo ciclo de ações, é que exame de vista gratuito na escola pública não é uma utopia. É uma escolha que já está sendo feita, com resultados documentados, em cada uma das 18 unidades que o programa já contemplou.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
