Para Parajara Moraes Alves Junior, consultor em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, o ITCMD deve ser analisado antes de a família decidir como transferirá terras, quotas ou outros direitos. O imposto incide em situações de transmissão por causa mortis e doação, mas a forma de organizar a sucessão interfere na documentação, na avaliação dos bens e na capacidade de a propriedade continuar funcionando.
A alíquota não responde sozinha quanto custará o planejamento. Regras estaduais, tipo de bem, valor atribuído, existência de dívidas, participação dos herdeiros e atividade econômica compõem a análise. Por isso, uma decisão tomada apenas com base em uma simulação rápida pode criar despesas, conflitos e falta de liquidez no momento em que a família mais precisa de previsibilidade.
O que exatamente pode gerar ITCMD na sucessão rural?
O imposto pode aparecer na transmissão de bens ou direitos por herança e na doação realizada em vida, conforme as regras do estado competente. No patrimônio rural, isso pode envolver imóveis, participações societárias, dinheiro, direitos sobre contratos e outros ativos. Cada item exige identificação própria, documentação e avaliação compatível com a operação.
A família deve começar por um inventário patrimonial que não se limite à matrícula da terra. Máquinas, estoques, financiamentos, arrendamentos e participações também influenciam a divisão e a continuidade do negócio. Quando o levantamento é incompleto, o cálculo tributário pode até parecer correto, mas a sucessão continua incapaz de explicar quem receberá o quê e como a produção será mantida.
Doar em vida sempre reduz o custo da sucessão?
A doação pode antecipar decisões e permitir que a família organize direitos antes da abertura de um inventário. Isso não significa que toda doação será mais barata ou mais simples. A operação pode envolver imposto, registro, avaliação, cláusulas de proteção e necessidade de preservar a parte legítima dos herdeiros, além das regras específicas aplicáveis em cada estado.
O planejamento precisa considerar também a renda de quem doa. Segundo Parajara Moraes Alves Junior, um pai pode transferir parte do patrimônio e continuar dependendo dos resultados da fazenda; um sucessor pode receber quotas sem estar preparado para administrar; outro pode preferir rendimentos a funções operacionais. A forma jurídica deve acompanhar essas diferenças, em vez de tratá-las como se todos tivessem o mesmo objetivo.

É melhor transferir o imóvel ou quotas de uma empresa?
Essa comparação depende do desenho patrimonial e da realidade da família. A transferência direta do imóvel pode produzir efeitos diferentes da doação de participações societárias, especialmente quanto à avaliação, registro, administração e circulação dos direitos. Nenhuma alternativa deve ser escolhida apenas porque aparece como solução comum no mercado.
Na análise de Parajara Moraes Alves Junior, a família precisa simular cada caminho com os mesmos dados: patrimônio, valor dos bens, dívidas, receitas, custos e intenção de cada sucessor. Além de verificar se a estrutura proposta será realmente usada no cotidiano. Uma empresa sem contabilidade, regras de decisão e separação financeira pode aumentar a complexidade sem resolver a sucessão.
Como preservar a produção durante a transferência?
A terra não pode ser dividida de modo a inviabilizar a atividade sem que essa consequência seja examinada. Parajara Moraes Alves Junior explica que a sucessão precisa considerar acesso, máquinas, contratos, estoque, financiamento, empregados e calendário de produção. O herdeiro que recebe um direito patrimonial pode não receber, automaticamente, a função de administrar a fazenda.
Regras de uso, distribuição de resultados e tomada de decisões ajudam a evitar que a transferência transforme a operação em disputa permanente. Outrossim, é necessário estabelecer como serão tratados investimentos, venda de ativos, entrada de terceiros e saída de um sucessor. Quanto mais a produção depende de decisões coletivas, mais importante é deixar os critérios registrados.
O que revisar antes de escolher o caminho?
A família deve reunir documentos dos imóveis, contratos, declarações, dívidas, avaliações, informações sobre receitas e regras estaduais aplicáveis. Depois, precisa comparar doação, herança e eventual organização societária, levando em conta tributos, custos de registro, governança, renda dos doadores e continuidade da atividade. A revisão deve ser feita antes de qualquer assinatura ou transferência.
Com esse diagnóstico, Parajara Moraes Alves Junior recomenda transformar a escolha em uma decisão documentada, não em uma resposta dada pela urgência. O planejamento sucessório rural pode proteger relações familiares e preservar a produção quando conecta tributação, patrimônio e gestão. O melhor momento para revisar o caminho é antes que a ausência de regras obrigue a família a decidir sob pressão.
